Arrependimento é crime?
O que mais se ouve é que ninguém se arrepende de mais nada. Virou chavão dizer "só me arrependo do que não fiz". Ainda há aqueles que, nobres conhecedores da sua própria alma, acrescentam pérolas como: não me arrependo de nada porque tudo que fiz me levou aonde estou, me tornou quem eu sou.
Claro que tudo o que vivemos nos transforma, mas vai dizer que alguns episódios não poderiam ser descartados ou, pelo menos, reciclados? Aquela palavra maldita, apressada, sem coerência e objetivo, não poderia ter sido deletada? Os erros são necessários para o crescimento, mas dizer que não se arrepende é afirmar que não se muda e se não se muda, não se evolui. Se não há evolução, o que estamos fazendo aqui? Ocupando espaço?
Eu me arrependo quase na mesma proporção de que me orgulho das minhas atitudes. E liberado o arrependimento, a vida se torna mais fluida, mais plena de possibilidades de alegria. Não preciso ser perfeita e o meu arrependimento não busca perdão. Ou talvez busque. O meu.
Se você não se arrepende perde a chance de refazer o caminho trilhado. Se você não se arrepende, emburrece, se torna estátua de sal e destino do caos.

